06 maio, 2013
11 abril, 2013
Diagramas do cotidiano
- Começar um texto é como procurar terreno. Procurar em toda sua extensão indícios ou pistas. A pretensão de escrever um texto grandioso é como a pretensão de encontrar ouro em um terreno baldio.
- Não se trata de escavar, mas de varrer a superfície. Talvez como um arqueólogo. Talvez começar escovando as palavras com Manoel de Barros. Talvez brincando com os dedos sobre a poeira igual criança. Procurar feridas. Percorrer a pele em busca de hematomas. Sangue seco.
- Brincar na terra, experimentar o corpo sujo de lama. Entrar em contato com a própria pele. As raizes às vezes são rasteiras. Fazer-se orquídea. Entrar em minhoca. Coexistir nos fungos. Permear as formigas, os cupins. Desabotoar-se nas traças.
- Depara-se com os cantos roídos de um livro. Qualquer página lhe vem à mente. O papel tingido dos tempos. Uma coisa leva à outra. O papel é qualquer coisa menos natural. Menos natural do que a palavra. Esse veneno da humanidade.
28 março, 2013
Redecorando
não
não tá tudo bem
eu deixo a casa vazia
você insiste em aparecer
as perguntas que faço
o silêncio teima responder
Nas delícias da lembrança
você beirando a soleira
e
equilibrando-se no parapeito do janelão
você é de uma fotografia antiga pendurada
ainda te seguro em pensamento
pra não cair
25 março, 2013
Luzes da cidade
Tem coisas que te fazem levantar pela manhã
vontade de um beijo
ou de morte
paisagens remotas
coloridas transações de tela
tem mais coisas que não te deixam dormir à noite.
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