logo depois de embarcar no ônibus às 23:00 do dia 18 de dezembro, me veio esse texto inteiro à cabeça e mesmo com o escuro e o chacoalhar do ônibus, fui até o fim do que parecia ser uma carta de despedida.
Trinta minutos que estavam mais para duas horas. A setenta quilometros por hora no taxi, meu coração batia umas mil vezes. O que eu esqueci? Quanto tempo ainda tem? Quanto nós ainda temos? Calma, calma. Era inútil. tão inútil quanto contar os minutos... Tudo poderia acabar em questão de segundos, mas os minutos me cortavam mais de setenta vezes por segundo.
A cidade inteira parecia acompanhar nossa dor. Lugares vazios, luzes apagadas. O vento de ponta à ponta da praça sem ninguém para desafiá-lo. Estávamos a sós. Praticamente oito meses sem saber o que era essa dor de despedida, de medo da solidão e sofrer por antecipação uma divisão no peito que já era calculada, mas não levava em contao meu amor ao infinito. Branco e preto, doloroso e inevitável, meu coração parecia pressentir um desconforto que só depois teria nome.
Chegamos cedo, com folga para doer uma despedida que já começara bem antes, lá pelas nove da manhã. Devo confessar que foi um dia digno de ficar marcado, mesmo. Café, docinhos de goiaba e pão-de-mel, intercalados com beijos intermináveis que pretendiam guardar essa doçura da manhã para momentos cinzas e amargos. Inútil, porém a graça era a de imortalizar aqueles lábios de café e saudade porvir. Muito amor depois e alguns carinhos, apertando aqueles braços que sempre seriam meus, não importava onde fossem ou quem tocassem. Meus.
Por que o ônibus está tão vazio? Não previam paradas depois... Um barulho infernal vem me atormentar a cada dez minutos. Já estou há meia hora neste breve relato que vibra ao som das rodas ao meu lado. Nunca pensei em morte ou tragédia durante essas viagens, mas esta, não sei. Talvez por isso esta vontade de escrever apesar do movimento do ônibus tornar isso [quase] impossível.
Há alguns minutos da rodoviária tive vontade de acender um cigarro. Estaria traindo a mim mesmo, mas nunca trairia a ela, lembro.
Fui enganado. O ônibus está prestes a fazer uma parada. Já não sei mais até quando esse relato será viável. Não gosto de escrever com alguém ao meu lado. É tão, tão...meu. Sinto-me invadido, violado até.
Ela estava de óculos - e os detesta. Particularmente não me importo, chego até a gostar às vezes. Tem um certo charme, um ar intelectual ou que talvez desperte alguma fantasia inconsciente, não sei. Pensei em tirar uma fotografia nossa. Embora viva com uma imagem que nunca me sai da cabeça, gosto de guardar de forma real e concreta algum pedacinho dela e meu. Para quando levar a fotografia novamente à vista, traga junto os beijos e o abraço que sempre seriam e serão meus. Falar no futuro do pretérito dá uma falsa idéia de descontinuidade das coisas e me coloca certo medo. Não gosto.
Imortalizei então, nosso último momento sentado no banco de madeira junto das malas, mochilas, cavaquinho, sacola. Estas coisas que levamos de um lado para o outro conosco para ter um gosto de nós mesmos, onde quer que estejamos. Eu te amo, disse guardando a foto e nosso momento dentro de mim.
Levantei-me para comprar uma bala e dividir o troco do taxi. Essa mania de ser certa, embora eu sempre esteja em dívida com ela, digo, estava antes do risoto com vinho do jantar de ontem e do almoço de hoje (dois risotos diferentes). Estou com o risoto ao meu lado, mas de longe sei que ele não traz os bons momentos de hoje, junto do sabor.
Hoje foi um dia como outro qualquer, mas só pela saudade, tem um gosto inigualável de moldura e memória doce. Nossa despedida foi há tão pouco tempo e já me dói. Como dói. Eu te amo. Sempre.
Do futuro, nós nunca sabemos muito. Nossa despedida através do vidro... Lembrei agora que troquei de ônibus para pegar um lugar à janela e o ônibus demora uma hora a mais... Onde estava? Sim, nossa despedida pelo vidro. Sua blusa roxa, nossas palmas juntas sem se tocarem. Isso dói. O último toque dura para sempre, sinto isso e sinto-me vivo também. Mais do que nunca, essa ausência me faz crescer e apreciar a vida. Afinal, foi um ótimo ano, as férias sempre deixam essas lacunas para se viver a vida. Eu te amo. Sempre te amarei.
Trinta minutos que estavam mais para duas horas. A setenta quilometros por hora no taxi, meu coração batia umas mil vezes. O que eu esqueci? Quanto tempo ainda tem? Quanto nós ainda temos? Calma, calma. Era inútil. tão inútil quanto contar os minutos... Tudo poderia acabar em questão de segundos, mas os minutos me cortavam mais de setenta vezes por segundo.
A cidade inteira parecia acompanhar nossa dor. Lugares vazios, luzes apagadas. O vento de ponta à ponta da praça sem ninguém para desafiá-lo. Estávamos a sós. Praticamente oito meses sem saber o que era essa dor de despedida, de medo da solidão e sofrer por antecipação uma divisão no peito que já era calculada, mas não levava em contao meu amor ao infinito. Branco e preto, doloroso e inevitável, meu coração parecia pressentir um desconforto que só depois teria nome.
Chegamos cedo, com folga para doer uma despedida que já começara bem antes, lá pelas nove da manhã. Devo confessar que foi um dia digno de ficar marcado, mesmo. Café, docinhos de goiaba e pão-de-mel, intercalados com beijos intermináveis que pretendiam guardar essa doçura da manhã para momentos cinzas e amargos. Inútil, porém a graça era a de imortalizar aqueles lábios de café e saudade porvir. Muito amor depois e alguns carinhos, apertando aqueles braços que sempre seriam meus, não importava onde fossem ou quem tocassem. Meus.
Por que o ônibus está tão vazio? Não previam paradas depois... Um barulho infernal vem me atormentar a cada dez minutos. Já estou há meia hora neste breve relato que vibra ao som das rodas ao meu lado. Nunca pensei em morte ou tragédia durante essas viagens, mas esta, não sei. Talvez por isso esta vontade de escrever apesar do movimento do ônibus tornar isso [quase] impossível.
Há alguns minutos da rodoviária tive vontade de acender um cigarro. Estaria traindo a mim mesmo, mas nunca trairia a ela, lembro.
Fui enganado. O ônibus está prestes a fazer uma parada. Já não sei mais até quando esse relato será viável. Não gosto de escrever com alguém ao meu lado. É tão, tão...meu. Sinto-me invadido, violado até.
Ela estava de óculos - e os detesta. Particularmente não me importo, chego até a gostar às vezes. Tem um certo charme, um ar intelectual ou que talvez desperte alguma fantasia inconsciente, não sei. Pensei em tirar uma fotografia nossa. Embora viva com uma imagem que nunca me sai da cabeça, gosto de guardar de forma real e concreta algum pedacinho dela e meu. Para quando levar a fotografia novamente à vista, traga junto os beijos e o abraço que sempre seriam e serão meus. Falar no futuro do pretérito dá uma falsa idéia de descontinuidade das coisas e me coloca certo medo. Não gosto.
Imortalizei então, nosso último momento sentado no banco de madeira junto das malas, mochilas, cavaquinho, sacola. Estas coisas que levamos de um lado para o outro conosco para ter um gosto de nós mesmos, onde quer que estejamos. Eu te amo, disse guardando a foto e nosso momento dentro de mim.
Levantei-me para comprar uma bala e dividir o troco do taxi. Essa mania de ser certa, embora eu sempre esteja em dívida com ela, digo, estava antes do risoto com vinho do jantar de ontem e do almoço de hoje (dois risotos diferentes). Estou com o risoto ao meu lado, mas de longe sei que ele não traz os bons momentos de hoje, junto do sabor.
Hoje foi um dia como outro qualquer, mas só pela saudade, tem um gosto inigualável de moldura e memória doce. Nossa despedida foi há tão pouco tempo e já me dói. Como dói. Eu te amo. Sempre.
Do futuro, nós nunca sabemos muito. Nossa despedida através do vidro... Lembrei agora que troquei de ônibus para pegar um lugar à janela e o ônibus demora uma hora a mais... Onde estava? Sim, nossa despedida pelo vidro. Sua blusa roxa, nossas palmas juntas sem se tocarem. Isso dói. O último toque dura para sempre, sinto isso e sinto-me vivo também. Mais do que nunca, essa ausência me faz crescer e apreciar a vida. Afinal, foi um ótimo ano, as férias sempre deixam essas lacunas para se viver a vida. Eu te amo. Sempre te amarei.
