Ver seu sorriso novo, desconfigurado é que me deixa com raiva. Sinto nos olhos dele a ameaça sutil de quando toca a minha pele sem querer, sem nem me ver. Passei, você não viu - ou fingiu que não. A minha mão é muito mais forte e quente do que a dele, encaixa perfeitamente nas suas costas nuas meio listradas.
Removi da imagem tudo o que pudesse me lembrar a sua figura, mas de nada adiantou, é minha inspiração e se move com tanta frequencia que é praticamente impossível tirar até o ultimo fio de cabelo seu. Um ultimo toque seu. Tão de leve, mas você sentiu. Você sorriu mas não soube o por quê. Era eu. Nos teus cabelos castanhos e lisos esparramados pelo ombro branco e vivo. Aquela marca tão de leve que você pensou ter passado a unha sem-querer, era eu. Fui tão leve quanto as piscadas dos teus olhos verdes e macios. Eu te toquei com os lábios sem ter a intenção. Foi o teu cheiro, o teu mel que me atraiu para campos tão mais verdes.
O que me faz sentar nesta cadeira velha e barulhenta, gritando alto para o mundo inteiro - menos você - ouvir: Eu sempre te odiei, vaca!. É mentira, é mentira eu sei, mas não consigo evitar, preciso deste grito tanto quanto você precisa dos versos moles dele. Não estou sendo exagerado, é que ele não sabe nada de poesia e eu coleciono tantos dos seus elogios mortos.
Não me encaixo mais no mancebo velho do quintal. Ele guarda o teu cheiro de um estranho dia em que chovia e você veio. Veio radiante e reduzida a gotas quentes. Que verão! Que dia. Que desgraça a minha. Sou infeliz para sempre. Para sempre enquanto você atravessa as grossas lentes dos seus óculos de massa para olhar somente a ele. Ele que tem um cheiro tão corriqueiro, tão, tão. Cheiro. Um cheiro que não é aroma. É só cheiro como um copo é só copo e um beijo dele é só beijo. Quero o teu carinho, quero tantas outras nuvens laranjas ao teu lado. Os binóculos que não me deixam ver tua janela. Os vizinhos que não me deixam dormir e o seu cheiro guardado a sete chaves no fundo da minha memória cruel. Não. Não quero mais! Ele faz de propósito. Só ele me vê. Faz que não, mas como um cheiro que passa rapido e é facilmente dissolvido em outro cheiro ele me vê e te distrai com uma besteirinha que eu seria incapaz de pensar - de tão besteirinha que é. Talvez você nem ouça minhas palavras, nunca ache meu olhar de fada. Eu sou criança, imagino coisas. Você já foi. Passou e ele me cobriu, com um beijo no ombro, marcado de unha invisível.
Removi da imagem tudo o que pudesse me lembrar a sua figura, mas de nada adiantou, é minha inspiração e se move com tanta frequencia que é praticamente impossível tirar até o ultimo fio de cabelo seu. Um ultimo toque seu. Tão de leve, mas você sentiu. Você sorriu mas não soube o por quê. Era eu. Nos teus cabelos castanhos e lisos esparramados pelo ombro branco e vivo. Aquela marca tão de leve que você pensou ter passado a unha sem-querer, era eu. Fui tão leve quanto as piscadas dos teus olhos verdes e macios. Eu te toquei com os lábios sem ter a intenção. Foi o teu cheiro, o teu mel que me atraiu para campos tão mais verdes.
O que me faz sentar nesta cadeira velha e barulhenta, gritando alto para o mundo inteiro - menos você - ouvir: Eu sempre te odiei, vaca!. É mentira, é mentira eu sei, mas não consigo evitar, preciso deste grito tanto quanto você precisa dos versos moles dele. Não estou sendo exagerado, é que ele não sabe nada de poesia e eu coleciono tantos dos seus elogios mortos.
Não me encaixo mais no mancebo velho do quintal. Ele guarda o teu cheiro de um estranho dia em que chovia e você veio. Veio radiante e reduzida a gotas quentes. Que verão! Que dia. Que desgraça a minha. Sou infeliz para sempre. Para sempre enquanto você atravessa as grossas lentes dos seus óculos de massa para olhar somente a ele. Ele que tem um cheiro tão corriqueiro, tão, tão. Cheiro. Um cheiro que não é aroma. É só cheiro como um copo é só copo e um beijo dele é só beijo. Quero o teu carinho, quero tantas outras nuvens laranjas ao teu lado. Os binóculos que não me deixam ver tua janela. Os vizinhos que não me deixam dormir e o seu cheiro guardado a sete chaves no fundo da minha memória cruel. Não. Não quero mais! Ele faz de propósito. Só ele me vê. Faz que não, mas como um cheiro que passa rapido e é facilmente dissolvido em outro cheiro ele me vê e te distrai com uma besteirinha que eu seria incapaz de pensar - de tão besteirinha que é. Talvez você nem ouça minhas palavras, nunca ache meu olhar de fada. Eu sou criança, imagino coisas. Você já foi. Passou e ele me cobriu, com um beijo no ombro, marcado de unha invisível.
