Quem sou eu

Minha foto
cartógrafo de letras, sensações e pássaros

23 julho, 2010

Leão

Ao chegar à casa de minha mãe, fui correndo inocente até o limoeiro e não o reconheci, era grande, só podia ser outro. Maior até que a pequena casinha e o casebre que cresci era inexplicavelmente menor. À medida que eu me sentava ao pé do limoeiro, seus ramos se entrelaçavam com ramos de outras árvores, algumas parasitas, algumas flores, alguns ninhos ressecados. O limoeiro havia amadurecido tanto, talvez já estivesse morrendo, talvez estivesse me esperando, então sorri. Não fosse a casa pequena, minha mãe pequena, não reconheceria mais meu antigo bairro, tudo agora era tão pequenino e frágil. É assim que eu descreveria a casa de minha mãe nesta última visita, frágil. Suas mãos tão rosadas e dobradas, o seu peito morno e cheiroso de mãe. Sempre o mesmo sorriso compadecido, ela sabia de tudo, sempre soube. E, no entanto, o limoeiro parecia me advertir sobre algo, como se a pequena senhorinha não fosse mais minha mãe, como se a casa quase ruindo fosse apenas uma casa, e aquele limoeiro enorme, que se disfarçava de carvalho, fosse um velho conhecido e me dissesse, como você cresceu.