No primeiro dia, alguém disse, Haja luz.
E forçaram-me a visão para dentro.
Lançando-me assim, à impossível tarefa de arrepender-me de pensar
Digo assim pois, dos sonhos, não há o impossível, para não dizer do arrependimento
Que fosse apenas o olhar, à luz fria do acontecimento,
do calor do momento ou da impassível chuva da semana
Uma multidão aglomerou-se. Fez protestos, gritaria, para não dizer da baixaria.
Disseram em um terrível uníssono, Morra-se em sete dias.
Assim coroaram-me, Segunda-feira.
Dia dos primeiros arrependimentos
das primeiras dores
dos primeiros arruaceiros
das primeiras damas
dos primeiros acordes
das primeiras últimas vezes
E não adiantou inverterem
Pois a última dor é impossível
a última é infeliz
os últimos estão descontentes
os últimos são imprevisíveis
as últimas estão exaustas
E sete dias depois
como se fossem sete números extraordinários
Morre-se de novo
Cansado da injustiça
Impregnado na demora
Invocando esta hora traiçoeira
Deixa estar, Segunda feira
