...nem "morte morrida, nem matada", morte sem nome, de deixar-se morrer, morrer em praça pública, de dia e de noite no olhar do outro, um solitário anônimo, em frente às câmeras, amado por vários, odiado por todos os outros, com ordem de prisão. Não se pode intervir nessa vida, pois dentro não há mais vida, não é possível prendê-lo sem dar-lhe um nome, um número, uma família, nem se pode conhecê-lo, pois já está morto. O que faz um corpo depois de esvaziado, plantado? Não como um vegetal, porque não se agarra ao chão, nem se liga à vida, simplesmente fica, e por acaso se bater-lhe um vento mais forte, é levado, fica leve encostado no ar. Há uma essência de espetáculo neste seu ato, algo que não pode ser interrompido, não pode também ser compreendido, e qualquer que seja seu nome, sua história, o que inventarem, não importa, não se pode capturá-lo, não se pode segui-lo. Quando morrer, viverá em eternidade, e uma brisa leve pode pairar de tarde, fazer chover à noite. A vida continua se reinventando.