24 janeiro, 2013
Viagem pelo Ar
um velho amigo veio cantar
disse que veio do mar
disse que ainda veio de lá
o estranho não era o canto
mas o chão que tinha no andar
um resto de mato, um rastro de planta
um velho ao fundo, papagaio no ombro
os olhos miúdos, sorriso sereno
tinha voz de inhambu, risada de sabiá
fiquei quieto com o peito tremendo
em desconforto, uma agonia
uma floresta me vinha brotar
e ali mesmo desciam lágrimas
um rio brotando aos poucos
as gotas, o orvalho, o sereno, o riacho todo
uma noite veio, outras passaram rasantes
por enquanto não me mexo
espero os galhos esparramarem pela casa
o som dos morcegos ajuda dormir
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