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cartógrafo de letras, sensações e pássaros

30 janeiro, 2012

Segunda feira : parte 2

No primeiro dia, alguém disse, Haja luz.
E forçaram-me a visão para dentro.
Lançando-me assim, à impossível tarefa de arrepender-me de pensar
Digo assim pois, dos sonhos, não há o impossível, para não dizer do arrependimento
Que fosse apenas o olhar, à luz fria do acontecimento,
do calor do momento ou da impassível chuva da semana

Uma multidão aglomerou-se. Fez protestos, gritaria, para não dizer da baixaria.
Disseram em um terrível uníssono, Morra-se em sete dias.
Assim coroaram-me, Segunda-feira.
Dia dos primeiros arrependimentos
das primeiras dores
dos primeiros arruaceiros
das primeiras damas
dos primeiros acordes
das primeiras últimas vezes
E não adiantou inverterem
Pois a última dor é impossível
a última é infeliz
os últimos estão descontentes
os últimos são imprevisíveis
as últimas estão exaustas
E sete dias depois
como se fossem sete números extraordinários
Morre-se de novo
Cansado da injustiça
Impregnado na demora
Invocando esta hora traiçoeira
Deixa estar, Segunda feira




05 outubro, 2011

O que de fato importa

Mãe para criança: Claro que você é normal, quem te disse que não?
Criança para professora: Como a gente sabe se é normal?
Professora para criança: Quando ninguém te percebe.

19 setembro, 2011

Segunda-feira e as desilusões

Coisas de segunda feira, revirar blogs, vontade de destruir a internet, cortar o cabelo e tentar mergulhar em livros. Coisas de segunda feira não cabem em diários. Mas um comentário em um site antigo me deixa amargurado. "Você só escreve sobre desilusão?". Não, claro que não. Escrevo sobre angústias, desencontros, meninos de rua e às vezes um forrózinho chocho. Às vezes escrevo sobre linhas, outras fora da página. Prefiro escrever para mim, mas acabo sempre escrevendo para os outros. Minha mãe me disse que eu ia ser um bom escritor. Alguns leitores pensam, mas não dizem o contrário, eu acredito. Troco de pele em toda troca de estações. Sou daltônico parcial e o quê mais? Queria ser bombeiro. Mas como dizia a moça lá da internet, se eu só escrevo sobre desilusão, acho que sim, escrevo sobre a morta segunda feira, sobre a vontade de que fosse sexta, ou qualquer dia melhor. Para não cair na armadilha literária, vou dizer que tudo o que acabei de escrever era sobre você.

11 fevereiro, 2011

128 x 1

Sigam-me, sigam-me, sigam-me
Um dia sua ignorância valerá prêmios e milhas

À vista com dez por cento de desconto

Minha querida amiga

Eu tenho tanta coisa para falar, para pensar e para elaborar, que acabo me sentindo culpado. É que a noite é a pior companhia, mas é minha favorita.